A primeira viagem a Marrocos falha quase sempre da mesma maneira: mete-se demasiada coisa em pouco tempo. Este guia serve para perceber como o país está feito e o que é razoável ver com os dias que tem.
Como Marrocos está feito
Quatro cidades imperiais (Marraquexe, Fez, Mequinez, Rabat), duas costas, três cadeias de montanhas e o Saara. As cidades estão no norte e no centro, o deserto no sudeste, e pelo meio ficam o Alto Atlas e os vales das kasbahs. Praticamente qualquer roteiro sensato é um arco entre duas cidades com o deserto no meio.

Quantos dias são precisos
Com cinco dias faz-se uma cidade mais o deserto, sem pressa. Com sete acrescenta-se uma segunda cidade ou a costa. Com dez cobre-se Marraquexe, o deserto, Fez e Essaouira com dias humanos. Abaixo de quatro dias compensa ficar por uma cidade e os seus arredores.
Um pormenor que surpreende muita gente: Marrocos percorre-se de carro, não de comboio. A rede ferroviária liga bem as cidades do norte, mas ao deserto e às gargantas só se chega por estrada.
Onde aterrar
Marraquexe tem o maior número de voos directos de Portugal e é a base mais cómoda. Fez funciona bem se quiser começar pelo norte e acabar em Marraquexe. Casablanca é o grande centro aéreo, mas a cidade em si interessa pouco ao visitante: serve como ponto de chegada, não como destino.
As cidades imperiais
Marraquexe e Fez são as duas que contam numa primeira viagem. Marraquexe é mais imediata; Fez, mais densa e mais antiga. Mequinez e Rabat são interessantes mas raramente entram num roteiro de uma semana.

Porque é que o Saara compensa a viagem
As dunas de Merzouga exigem dois dias de estrada entre ida e volta, e são a parte que os nossos clientes mais recordam. Uma noite em acampamento, o silêncio e o céu estrelado não têm equivalente no resto do país.
Atenção à diferença entre o deserto de dunas (Merzouga, Zagora) e o de pedra às portas de Marraquexe (Agafay). São experiências muito distintas e os nomes comerciais por vezes confundem.

Montanhas, gargantas e costa
O Alto Atlas atravessa-se de qualquer modo para descer ao sul, e o passo de Tizi n’Tichka, a 2.260 metros, é uma das estradas mais bonitas do país. As gargantas do Dades e do Todra partem o trajecto. Essaouira, no Atlântico, é a paragem para abrandar.

Quanto custa e como se paga
A moeda é o dirham marroquino e não pode sair do país. Os cartões funcionam em hotéis e restaurantes grandes, mas nos souks, nas aldeias e para as gorjetas é preciso dinheiro. Compensa trocar lá, não em Portugal.
Os erros que vemos mais vezes
O primeiro é comprimir: Marraquexe, Fez, Chefchaouen e o deserto em sete dias significa passar as férias no carro. O segundo é subestimar as distâncias, que no mapa parecem curtas e em estrada de montanha não são. O terceiro é não deixar meio dia livre: as medinas cansam e uma pausa vale mais do que um monumento a mais.
Perguntas frequentes
Primavera (março-maio) e outono (setembro-novembro). O verão é muito quente no interior; o inverno é ameno de dia e frio de noite no deserto.
Não. Para estadias até 90 dias basta o passaporte válido. O cartão de cidadão não é suficiente.
Um tour privado custa mais mas decide os horários e as paragens em função de si. Os tours partilhados ficam mais baratos e funcionam bem para quem viaja sozinho ou com orçamento apertado.
O suficiente para refeições, gorjetas e compras nos souks: os hotéis e restaurantes grandes aceitam cartão, o resto do país trabalha em numerário.
Melhor não. A água engarrafada custa muito pouco e é a que usamos também nós durante os tours.
