A travessia de três dias de Marraquexe a Fez é a rota que mais operamos e também a mais mal compreendida. Não é um circuito descansado. É uma condução longa e espetacular com uma noite no Sara pelo meio, e resulta muito bem se souber ao que vai.
Dia 1: de Marraquexe ao vale do Dades
Sai-se de Marraquexe de manhã e sobe-se quase de imediato ao Alto Atlas. O passo Tizi n’Tichka ultrapassa os 2.200 metros e a estrada foi refeita nos últimos anos: o piso é bom, mas continua a ser condução de montanha com curvas contínuas.
Do outro lado a paisagem muda por completo, das planícies ocres à volta de Marraquexe para rocha nua e vales profundos. A primeira paragem importante é Ait Ben Haddou, a aldeia fortificada de terra classificada como Património Mundial e presença habitual em produções de cinema internacionais. Uma hora chega para subir pelo ksar e voltar.
De Ouarzazate a estrada segue para leste pelo palmeiral de Skoura e pelo Vale das Rosas, chegando ao vale do Dades ao fim da tarde. No total são cerca de sete horas de condução com paragens. Dorme-se num hotel em estilo kasbah no vale.

Dia 2: gargantas do Todra e estrada para Merzouga
A segunda manhã é a condução mais curta da viagem. As gargantas do Todra ficam a cerca de uma hora, onde paredes de calcário se erguem 300 metros de ambos os lados de um fundo de vale suficientemente estreito para se atravessar a pé. Uma hora ali a pé é a medida certa.
Depois do Todra a rota vira para sudeste e a terra achata e esvazia. Passa-se por Erfoud e Rissani, e as primeiras dunas de Erg Chebbi aparecem no horizonte muito antes de lá chegar.
Chega-se a Merzouga ao fim da tarde. Dali segue-se para o acampamento entre as dunas de camelo ou de 4x4: operamos as duas opções, e o 4x4 é a escolha sensata para quem tenha problemas de costas ou viaje com crianças pequenas.
O jantar é no acampamento, seguido de tambores à volta da fogueira. O escuro é absoluto assim que o lume se apaga, e as estrelas são a parte que quase toda a gente conta depois.

Dia 3: nascer do sol, vale do Ziz e Fez
O nascer do sol sobre as dunas compensa o despertador cedo e é a última hora calma da viagem. Depois do pequeno-almoço, o terceiro dia é uma subida longa para norte: cerca de oito horas até Fez.
A rota sobe o vale do Ziz, onde uma fita contínua de palmeirais se encaixa entre paredes de desfiladeiro vermelho. É o troço mais subestimado de toda a viagem. Sobe-se por Midelt, atravessam-se os cedrais do Médio Atlas e passa-se por Ifrane, uma vila de aspeto alpino que surpreende quase toda a gente à primeira vez.
Chega-se a Fez ao início da noite. Quase toda a gente vai direta para o riad e janta lá; a medina pode esperar pela manhã seguinte.

Três dias chegam?
Para a travessia em si, sim. Três dias levam-no para lá do Atlas, pelas gargantas, com uma noite no Sara e até Fez sem cortar nada de essencial.
O que três dias não dão é folga. O primeiro e o terceiro dia são longos na viatura e não há uma única tarde livre. Se a prioridade é o deserto e não o trajeto, a versão de quatro dias acrescenta um dia inteiro à volta de Merzouga — famílias nómadas, o lago sazonal, sandboard — e muda bastante o carácter da viagem.
Se quer o deserto sem trajetos longos, vale a pena considerar voar para Errachidia ou Ouarzazate e começar mais perto das dunas.
Em que sentido: Marraquexe-Fez ou Fez-Marraquexe?
Ambos funcionam igualmente bem e a rota é idêntica ao contrário. Escolha pelos seus voos. Marraquexe tem mais ligações diretas da Europa, por isso a maioria chega por lá; Fez é o melhor ponto de chegada se quiser ver a medina mais antiga enquanto está mais fresco.
Uma diferença prática: chegar a Fez no fim significa terminar na mais exigente das duas cidades depois de três dias de estrada. Alguns preferem acabar em Marraquexe, mais fácil de percorrer quando se está cansado.
O que está incluído e o que levar
A nossa versão privada inclui um 4x4 fechado com ar condicionado, um motorista-guia que fala inglês, o combustível, o acampamento no deserto com casa de banho privativa, duas noites de alojamento, os pequenos-almoços e o jantar no acampamento. Almoços, bebidas e entradas não estão incluídos.
Leve uma camada quente seja qual for a estação. As noites no deserto são frias mesmo no verão e o acampamento fica ao relento. Leve mais água do que julga precisar, sapatos fechados para a caminhada da garganta e algo para cobrir a cabeça.
No acampamento é possível carregar, mas de forma limitada. Um power bank elimina o problema por completo.
Perguntas frequentes
Cerca de 20 horas de condução distribuídas por três dias: à volta de sete horas no primeiro dia, quatro no segundo e oito no terceiro, sem contar paragens.
É eficiente mais do que descansado. Cobre o Atlas, as gargantas e uma noite no Sara sem omitir nada de importante, mas não deixa tempo livre. A versão de quatro dias acrescenta um dia inteiro no deserto.
Não. A transferência para o acampamento no deserto pode ser feita de 4x4, opção que recomendamos a quem tenha problemas de costas ou viaje com crianças pequenas.
Os nossos acampamentos padrão têm camas a sério, cobertores grossos e casas de banho privativas com água quente, além de eletricidade. O jantar é servido numa tenda comum, seguido de música à volta da fogueira.
Sim, a rota funciona de forma idêntica nos dois sentidos. Escolha pelos seus voos: Marraquexe tem geralmente mais ligações diretas da Europa.
